porque o único computador seguro é o que está desligado

Monthly Archives: September 2013

Metralhas desastradosÉ inevitável: volta e meia meu bom humor ganha um upgrade graças a um malfeitor despreparado. Recebi hoje um e-mail com um alerta do banco Itau (do qual não sou cliente), avisando-me de que eu precisava “ressincronizar meu dispositivo de segurança”, pois ele havia “entrado em choque com algo (Chão, etc)”.

No corpo do e-mail, o indefectível link que me levaria ao site que faz o “sincronismo”. O link, é claro, apontava para um endereço completamente inusitado: www (dot) arteterapia (dot) org (dot) br. Que beleza, não?

E, claro, a mensagem é classificada como “extremamente confidencial”, ou seja, o incauto é avisado de que não deve comentar nada com a família nem com aquele conhecido que entende um pouco mais de computadores, muito menos com a polícia.

Finalmente, um alerta:

“O procedimento é obrigatório, a não realização terá como consequência o BLOQUEIO de seu dispositivo.”

Vida que segue, temperada por risadas inesperadas. Só deixa de ter graça quando me lembro que o meliante pode atingir um aposentado, cliente daquele banco, que tenha acabado de ingressar no maravilhoso mundo dos computadores — é coisa de uma covardia sem tamanho. Aliás, qualquer tipo de golpe já é covardia em si, já que conta com a ingenuidade e a boa-fé da vítima. Como eu ia dizendo, vida que segue.

Maxwell Smart shoephoneNão deviam causar espanto a abrangência e as intenções do sistema de espionagem eletrônica Prism, que o presidente Barack Obama tanto busca esconder ou minimizar. Trata-se de mais um aparato de dominação global dos EUA, operado por serviços de inteligência, a ganhar atenção da mídia, desta vez com a exposição dada por Edward Snowden.

O fato é que o Prism é como um sucessor do Echelon, turbinado com algo de Big Data. O Echelon é uma rede de coleta e processamento de dados de telefonia, fax e e-mail implementada com a cumplicidade dos governos do Canadá, Inglaterra, Austrália e Nova Zelândia.

O sistema chegou a ser usado para espionagem industrial, de modo a dar às empresas sediadas nos países-membros vantagens competitivas sobre os concorrentes europeus. Foi essa a natureza da denúncia da então ministra da Justiça da Franca, Elizabeth Guigou, nos idos de 2000, segundo a BBC, em matéria com o título “França acusa EUA de espionagem”Continue reading

search-snap-doA essa altura você já sabe um monte de coisas. Sabe que não deve aceitar doces de estranhos, nem na rua nem na internet; sabe que há malfeitores escondidos por toda parte, tanto no asfalto quanto em servidores; sabe que um inocente download pode trazer o inimigo para dentro de sua casa.

Só falta saber como se livrar daquela praga que se alojou, não se sabe como, em seu disco rígido. Pois é. Uma das pragas da vez atende pelo nome de snap.do. Ela instalou-se em uma de minhas máquinas, aparentemente após o download de uma ferramenta freeware (pois sim…) de tratamento de áudio. Baixei a dita do Tucows (The Ultimate Collection of Windows Software), site tido como referência desde meados dos anos 1990. Para mim, passou a ser um distribuidor de malware, na medida em que não certifica os pacotes de software que disponibiliza. Aliás, com a fervilhante produção de software que se vê hoje em dia, verificar a integridade e a lisura de cada pacote de instalação é tarefa que só estaria ao alcance na NSA (National Security Agency, do governo dos EUA), a mãe de todas as intromissões e verificações.

Mas volto ao assunto. O snap.do altera a página inicial de todos os browsers instalados,  Continue reading

bidens_sunglasses_and_dunce_capEm tempos idos, quando o mecânico do automóvel dizia que o problema estava no “desempenador de centelha” ou na “rebimbela da parafuseta”, restava ao infeliz cliente aceitar o diagnóstico e pagar pela solução, qualquer que fosse. Ninguém é obrigado a entender das tecnicalidades de todas as profissões que nos cercam. Hoje em dia, talvez exista mesmo um “desempenador de centelha”, tamanha a presença da eletrônica nos automóveis modernos.

A mesma coisa vale para termos e expressões médicas que, ainda assim, evoluem com o tempo. Você sabia que o “ouvido interno” está dando lugar à “orelha interna”, e que a “glândula suprarrenal” está virando “glândula adrenal”? Neste último caso, a coisa faz sentido: é mais lógico definir algo pela função que desempenha do que pela posição que ocupa em um conjunto.

Voltando ao assunto, quando o tema é informática, no entanto, a coisa muda de figura. Cada vez mais onipresente em nosso cotidiano, começando mesmo a ser vestível, a TI emprega termos e expressões cujos significados podem variar de acordo com o acervo de conhecimento do falante. E, como o ouvinte é mais interessado nesse tema do que naqueles que envolvem adrenais e carburadores, o estrago causado pela desinformação pode ser grande. Continue reading

Foto: Wong Maye - E/APFechei o layout e o código, o site estava pronto. Enquanto dava a última geral, parei no subtítulo: “porque o único computador seguro é o que está desligado”. Será verdade, mesmo? Eu gosto dessa frase, é daquelas coisas que nem sei mais se criei, ou se escutei há muito tempo n’algum ambiente de trabalho. Mas, como diz o outro, não custa pensar.

O que vem a ser “um computador seguro”? Segurança não é conceito abrangente demais? Ele pode referir-se a informações armazenadas, estáticas; pode dizer respeito à vida online, dinâmica, e à ameça dos cavalos de troia e programas que sequestram teclados e enviam os dados para servidores remotos escondidos em San Franciso ou Pyongyang.

Pode, também, abranger a segurança patrimonial, o equipamento em si. Nesse caso, estando ligado na tomada ou não, o computador pode ser furtado ou roubado, e levado embora, junto com todos os bytes. Que podem estar encriptados, ou não. Cuja criptografia (se houver) pode ser quebrada, ou não. E, caso venha a ser quebrada, Continue reading