porque o único computador seguro é o que está desligado

Monthly Archives: October 2013

vlcsnap-2013-10-25-00h10m58s221O pequeno vídeo promocional “Stop Watching Us” (aqui, com legendas em português) não traz novidades. Não há nada nele que vá além do que a mídia tem divulgado nos últimos meses, no que se refere à invasão de privacidade dos cidadãos dos EUA. O minidoc serve como recurso adicional de convocação da população para diversas marchas de protesto que ocorrerão nos EUA, neste próximo sábado (26/10).

Observei uma coisa interessante: “us” também pode ser lido como “US” (“EUA”, em vez de “nós”), ou seja, vigiem o mundo todo, mas deixem-nos em paz.

Mesmo assim, é bom ver a cidadania norte-americana se manifestando. Quando o edifício World Trade Center 7 desabou, sem que uma mosca sequer o houvesse atingido, as vozes mais significativas foram as dos engenheiros e arquitetos que denunciaram a óbvia (mas oficialmente negada) implosão programada. O fato de um dos aviões sequestrados ter caído longe dali não impediu que o prédio fosse ao chão — do the math, é para isso que servem os planos de contingência.

Quando cerca de 1.200 cidadãos dos EUA foram confinados num campo de concentração em plena Nova York, em 2004, por protestarem contra a candidatura de Geroge W. Bush, diante do local de uma convenção do Partido Republicano, não houve vozes de protesto organizado. Pessoas ficaram arbitrariamente detidas por alguns dias num terminal rodoviário desativado, com algemas de plástico, sem acesso a telefones, advogados ou alimentação decente. Arame farpado (razor wire, na verdade), policiais e cachorros completavam o cenário da truculência (chave de pesquisa Google: “pier 57 republican convention“). O detalhe complementar é o fato de o terminal ter sido desativado em função da insalubridade do local, decorrente de vazamento do óleo dos ônibus que ali paravam, que continha substâncias patogênicas. Farta documentação oficial sobre esse evento pode ser encontrada no site da ACLU, entidade norte-americana de defesa dos direitos civis. Continue reading

Facebook - BannedMais uma vez, essa máquina de ordenhar privacidades e vender individualidades mostra a que veio.

As configurações do Facebook são alteradas pela enésima vez, agora para forçar que um usuário apareça em buscas pelo seu nome, quer queira, quer não. Uma opção de privacidade a menos. Mais uma a menos. Cada vez mais.

Considerando-se o histórico de Mark Z. (quem conhece isso muito bem é o Harvard Crimson, jornal do campus da universidade), não é de se estranhar a ausência de padrões morais onde mais seria de se esperar – no trato de informações de terceiros. Uma visão realista da coisa vem do adolescente de 17 anos que postou o seguinte comentário à matéria do TechCrunch:

Why do people use Facebook again? I’m 17 years old and tried it once, for about a month. I found it to be pointless, time-consuming, and invasive, and haven’t touched it since. If my friends want to talk to me I’ve got an email account, a home phone, a cell phone, and a mailing address and they are welcome to use any of those things to contact me, or even just show up at my house.

(Afinal, por que as pessoas usam o Facebook? Tenho 17 anos de idade e experimentei o site uma vez, por cerca de um mês. Achei a coisa sem sentido, consumidora de tempo e invasiva, e deixei-a de lado desde então. Se meus amigos quiserem falar comigo, podem usar minha conta de e-mail, meu telefone fixo, meu celular ou meu endereço para correspondência postal, e eles serão bem-vindos se usarem essas coisas para manter contato, até mesmo para simplesmente aparecer na minha casa.)

Eu não poderia estar mais de acordo com essa simples e certeira avaliação; já havia chegado a ela há algum tempo – e pelos mesmos argumentos. Gosto de comunicação por e-mail e telefone, e acho eventos do mundo concreto muito mais enriquecedores do que efêmeras clicadas de “curti” e comentários insossos ou evidenciadores de carência afetiva. Depois de encerrar minha conta no FB, surgiu tempo onde antes faltava: para cursos, trabalho, leituras, para atividades produtivas, enfim.

A essa altura do campeonato, no entanto, a pasta de dentes já saiu do tubo coletivo e não tem mais volta: a comoditização da privacidade é fato consumado, e sempre haverá quem aceite doces de estranhos, nas ruas, fechando os olhos para o que se passa à volta. Basta comparar a situação dos índios no Brasil pré-1500, por exemplo, com o esforço que os descendentes deles fazem hoje para preservar a Aldeia Maracanã. Colares de miçangas e espelhos valeram tudo que foi inocentemente concedido em troca, sem um esboço de resistência, ao menos?

[com informações do site TechCrunh]