porque o único computador seguro é o que está desligado

 ou “Lembrando a história, ainda que tenham apagado parte dela”

Magic Lantern - WashiingtonNo que se torna uma novidade cada vez mais velha, a arapongagem dos EUA é mais uma vez desmascarada. A nova novidade é que a AT&T recebe dinheiro da CIA para expor dados de usuários, em vez de ser obrigada a entregá-los sob intimação de corte federal. O mais intrigante é que as 30 moedas estão desvalorizadas: pelo programa, a CIA paga michê anual de US$ 10 milhões. A AT&T, por sua vez, fica numa situação em que nem com muita água e sabão a coisa sai.

Falando em lambança, lembrei-me de situação igualmente grave e bizarra, ocorrida em 2001. Recordo-me bem desse incidente, pois foi quando tirei a McAfee da minha lista de empresas sérias. Em novembro de 2001, o jornal The Washington Post denunciava que a detecção de um malware capturador de teclado, o Magic Lantern (Lanterna Mágica), era propositalmente ignorado por aquela até então confiável empresa de segurança de dados. O Malantern, como era conhecido o keylogger desenvolvido pelo FBI, era plantado em máquinas de suspeitos, de modo a obter senhas de criptografia PGP. Afinal, era mais fácil buscar a senha na fonte — o teclado do suspeito — do que empregar poder computacional em algoritmos de quebra de mensagens criptografadas. Num surto de nacionalismo combinado com servilismo gratuito, a McAfee teria procurado o FBI para obter a assinatura do cavalo de Troia, de modo a não detectá-lo, a não neutralizar os esforços da espionagem oficial. Consta que a Symantec teria sido tomada por igual fervor patriótico (vide fontes abaixo).

Houve grita na época, bem menor que a de hoje, é claro: tratava-se de um fato isolado, e não de um sistemático processo de desmantelamento das garantias de cidadania e direito promulgadas por George Washington, Benjamin Franklin, Alexander Hamilton e outros tantos (outros 36, na verdade) signatários da carta magna norte-americana. Em busca do noticiário de então, vejo que, intrigantemente, não são mais válidos os links para matérias dos veículos MSNBC e The Washington Post. Mais abaixo, há referências que ainda registram o caso.

Resumindo, a arapongagem dos EUA encarna os pesadelos de ficção e realidade, de Orwell a Stalin, arrogando para si todos os direitos que puder. E tudo pode, em nome de uma “guerra ao terror” fomentada e, antes de mais nada, plantada pelas figuras do experiente Bush Pai e do pós-adolescente, ex-alcoólatra e ex-cocainômano Bush Filho, além de sacramentada pela existência de leis secretas(!), tribunais secretos(!) e julgamentos secretos(!).

Numa lambança menor, o Globo Online de 7/11 informa que

O porta-voz da CIA Dean Boyd se recusou a confirmar a existência do programa, mas argumentou que as atividades de coleta de inteligência da agência eram legais e sujeitas à supervisão extensiva. Mark Siegel, da AT&T, por sua vez, afirmou que a empresa preza pela privacidade de seus clientes, garantindo o cumprimento da lei em todos os aspectos, mas disse que não comentaria questões relativas à segurança nacional.

As pessoas que escrevem no Globo (até prova em contrário, não são jornalistas) deveriam saber que “prezar” é verbo transitivo direto ou, no máximo, pronominal; ninguém “preza por alguma coisa”, mas pode (e deve) “prezar alguma coisa”. Como sempre, e mais uma vez, a novilíngua dos redatores(?) e revisores(?) do Globo confunde “prezar algo” com “primar por algo”, ou seja, não primam pelo preparo profissional nem prezam o idioma português.

Mas vamos aos ecos de 2001, aquele (outro) ano que insiste em não terminar.

 



Magic Lantern - TheRegister

 

 

“Eric Chien, chief researcher at Symantec’s antivirus research lab, said that provided a hypothetical keystroke logging tool was used only by the FBI, then Symantec would avoid updating its antivirus tools to detect such a Trojan.”

fonte: theregister.co.uk

 

 

Magic Lantern - ZDNet

“After the last high-profile case in which federal agents turned to a key logger, some security companies allegedly volunteered to ignore fedware. The Associated Press reported in 2001 that “McAfee Corp. contacted the FBI… to ensure its software wouldn’t inadvertently detect the bureau’s snooping software.” McAfee subsequently said the report was inaccurate.”

fonte: ZDNet

 

 

Magic Lantern - Kaspersky

“At this time, Kaspersky Lab has not received any confirmation about Magic Lantern’s existence or the FBI’s intention to develop such a program. In this case, we view these rumors as they are – just rumors without any basis in fact. Defense procedures thwarting Malantern have already been added to the Kaspersky Anti-Virus database.”

fonte: Kaspersky Lab

[Nota: é curioso observar o bizarro contorcionismo: por um lado, não há confirmação da existência do Malantern; por outro, mecanismos para evitá-lo (to thwart) já foram incorporados ao antivirus.]

 

 

Magic Lantern - Slashdot

 

“The Washington Post is reporting on the FBI‘s new spyware called ‘Magic Lantern.’ According to their article, ‘At least one antivirus software company, McAfee Corp., contacted the FBI on Wednesday to ensure its software wouldn’t inadvertently detect the bureau’s snooping software and alert a criminal suspect.’ It is ridiculous that the software companies that are supposed to help us protect computers purposefully leave in loopholes for the FBI to operate their spyware.”

 

fonte: Slashdot

 

 

 

 

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